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Jackie, de Pablo Larraín

por Diana M., em 28.02.17

jackie.jpg

Filme: Jackie

Realizador: Pablo Larraín

Ano: 2016

 

Este Jackie relata-nos o dia e os dias posteriores ao assassinato do presidente John F. Kennedy pela perspectiva da sua mulher, Jacqueline Kennedy. O filme começa quando Jackie dá uma entrevista a um jornalista, na sua casa, algumas semanas depois da morte do marido e a ordem descrita dos acontecimentos segue a conversa entre ambos, não havendo uma narração dos acontecimentos por ordem cronológica. O retrato é muito mais emocional e psicológico e, por isso, a linha narrativa também se vai alterando consoante as memórias que Jackie vai revivendo.

 

Este é um retrato tão fiel quanto possível de Jackie e da sua vivência durante aqueles dias, do trauma de ter presenciado o assassinato do marido, da sua tristeza e da sua dor que, por vezes, tem de ser posta de lado para dar lugar a aspectos mais práticos e políticos - como é o caso do juramento de Lyndon Johnson no avião, no regresso de Dallas a Washington. Assistimos a esta perda monumental para Jackie, à preparação do funeral inspirado no funeral de Abraham Lincoln, ao controlo que ela consegue ter em público, mas também a momentos em que parece perdida e tão, mas tão sozinha. Foi o que mais senti, foi que ela era uma mulher sozinha a adaptar-se a esta nova situação: de viúva, de mãe que terá que educar os seus dois filhos sozinha, de ex-primeira dama dos Estados Unidos, de mulher num mundo governado por homens que tentaram impôr-se às suas vontades, mas também de alguém que luta para definir o legado do marido.

 

Eu adorei o filme. Eu gosto imenso de biopics, e gosto imenso da Natalie Portman, por isso já de si só estava com bastantes expectativas. Portman tem uma representação fantástica, perfeccionista, ao ponto de a própria actriz ter tido aulas para se conseguir aproximar ao máximo do sotaque e dos maneirismos de Jacquie, estudando entrevistas e vídeos que existem dela. Consta, ainda, que o filme foi praticamente feito com primeiros takes - um terço das cenas de Portman foram filmadas à primeira, e as restantes também não precisaram de muitos takes para ficarem no filme. Gostei imenso do retrato desta mulher que se manteve forte apesar de tudo, que mostra querer quebrar em alguns momentos, mas que consegue arranjar forma de se manter de pé. Mostra uma mulher com uma complexidade e intensidade emocional incrível perante um momento tão doloroso e inesperado como o que vive. O final é maravilhoso, há um crescendo emocional que nos leva lá, e as cenas, os diálogos, os actores, a banda sonora estão impecáveis. Não consigo mesmo apontar algo de que não tenha gostado. Fiquei com vontade de ler tudo sobre a Jacquie, mas isso sou eu que tenho a tendência para ficar um nadinha obcecada com personagens de quem gosto...

 

 

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Melancholia, de Lars Von Trier

por Diana M., em 25.02.17

melancholia-movie-poster.jpg

Filme: Melancholia

Realizador: Lars Von Trier

Ano: 2011

 

Andava para ver este filme praticamente desde que ele estreou e parece que ontem foi o dia! 

 

Melancholia conta-nos a história da relação entre duas irmãs, Justine e Claire, começando no dia do casamento de Justine e continuando nos dias a seguir. Ao mesmo tempo, acompanhamos a presença de um planeta, chamado Melancholia, que estava escondido atrás do sol e que se vai aproximando do planeta Terra. No entanto, para mim, a presença deste planeta é metafórica, simbolizando a presença de uma doença mental que se esconde e que, de repente, se revela, destabilizando a vida que conhecemos, ameaçando a nossa realidade. De facto, o realizador referiu que se inspirou num episódio depressivo que teve e, posteriormente, de ter conhecimento de que as pessoas depressivas permanecem mais calmas perante a possibilidade de um evento catastrófico.

 

Para mim, este filme fala-nos da depressão e da ansiedade, de como isso afecta quem sofre dessas doenças e quem lida com essas pessoas diariamente. É complicado, é difícil, ninguém sai ileso. Kirsten Dunst está irrepreensível a interpretar alguém com depressão, de como pode ser debilitante. Há cenas tão bem filmadas, a fotografia é belíssima, e a sensação de vazio, de distorção de tempo e de espaço tão bem passada para o espectador, a banda sonora encaixa que nem uma luva e as cenas iniciais, que a princípio parecem meio descabidas e sem sentido, vão-se encaixando e vão fazendo sentido na história que vai sendo contada.

 

É um filme pesado, em termos de carga emocional, não é um filme fácil e não irá apelar a toda a gente. Tem uma estética muito própria, mas eu adorei. Há várias referências artísticas (Breughel, Millais), literárias (Hamlet), musicais (Tristão e Isolda, de Wagner), e tudo isso adiciona profundidade à história, camadas que vão sendo descobertas pelo espectador. Eu adorei o filme. Penso que chega a ser catártico e quem já passou por estes momentos consegue relacionar-se melhor com as personagens e com a história. Gostei particularmente de Kirsten Dunst, das sequências iniciais do filme, da presença do planeta e do final do filme. Ficamos um bocado com a sensação de vazio, eu fiquei uns minutos a olhar para o ecrã sem saber o que fazer com aquilo que tinha acabado de ver, mas penso que essa foi a intenção do realizador, dada a temática que é explorada.

 

Em suma: primeiro filme visto este ano e muito bom, por sinal. Apesar de perceber que não irá apelar a toda a gente, recomendo vivamente, porque é um filme, no mínimo, visualmente belo.

 

 

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