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Dramas de Primeiro Mundo

Dramas de Primeiro Mundo

16.Out.17

Incêndios

Diana M.

Ontem fiquei acordada até pouco mais das 2h da manhã, colada à televisão e ao twitter a ver as notícias sobre os incêndios. Tondela. Penacova. Santa Comba Dão. Braga. Lousã. Oliveira de Frades. Sertã. Mafra. Nelas. Gouveia. Mangualde. Monção. Segundo as notícias são mais de 400 incêndios e, por isso, é impossível ter uma dimensão realista do estado das coisas, dentro da minha cabeça. Não dá. Ouve-se expressões como “autêntico inferno”, “cenário dantesco”, “terror”, "estado de calamidade", mas nós, que estamos nos nossos sofás a ouvir as pessoas e a ver as imagens, de mãos na cabeça e no rosto de tanta incredulidade, não temos noção. Parece que alguém guardou para os últimos (esperemos nós) dias de calor para pôr praticamente metade do país a arder. As causas, os culpados, isso cabe às autoridades resolverem e ao governo traçar novas medidas para que estas coisas nunca, mas NUNCA mais aconteçam. Três dezenas de mortos é inadmissível. Nem que fosse só uma morte. É terrível e desesperante.

 

Apesar de estar cansada e a morrer de sono, não queria ir dormir, não queria sair da frente do ecrã da televisão, nem desligar as redes sociais. Não por voyeurismo, não por curiosidade mórbida, mas por me sentir obrigada a testemunhar o sofrimento daquelas pessoas e a tragédia que se estava a desenrolar no país. Alguém tem de testemunhar. Alguém tem ver para que nunca se esqueça. Estas coisas não se podem esquecer, não se podem repetir. Alguém tem de ver, não podemos largar aquelas pessoas à escuridão do desconhecimento, há que testemunhar as suas tragédias, que registar o que está a acontecer. Há que escrever, fotografar, filmar, ver e mostrar ao mundo o que está a acontecer.

 

Porque quem não vê é como quem não crê. E acreditem. Isto está mesmo a acontecer.

09.Out.17

Exposição "Vikings - Guerreiros do Mar", no Museu de Marinha

Diana M.

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Pois que ontem resolvi ir ver, finalmente, a exposição Vikings: Guerreiros do Mar que está no Museu de Marinha, em Belém, até dia 12 de Novembro. Tinha algumas expectativas para esta exposição (espadas! eu só queria ver espadas vikings!) e não me desiludi.

 

Esta exposição está muito bem construída, quase que nos conta uma história do povo viking, com perto de 600 peças que pertencem ao Museu Nacional da Dinamarca, ao longo de duas salas e dividida em várias àreas. Logo no início da exposição temos um vídeo que nos faz uma introdução aos vikings: quem eram, de onde eram, quais as suas crenças, o seu modo de vida, o que os registos medievais nos deixaram, os seus mitos e as suas viagens e conquistas - incluindo as várias incursões a Portugal. 

 

Ao longo de duas salas seguimos, então, a história deste povo através dos objectos que nos foram deixados. Sendo que o museu que acolhe esta exposição é o Museu de Marinha, há um ênfase maior na vida dos vikings enquanto exploradores do mar. Podemos ver vídeos da construção dos barcos na época, ter uma noção da sua grandiosidade e das técnicas empregues e de como alguns elementos foram adaptados à navegação, mais tarde. Temos, ainda, outras áreas temáticas em que se abordam aspectos como o quotidiano, o vestuário, a estrutura social, as crenças religiosas, o comércio e a organização militar. 

 

Achei muito boa a envolvência de toda a exposição - as cores usadas, os vídeos, a música de fundo, a ordem pela qual a exposição está disposta - tudo é bastante apelativo e torna a exposição mais interessante. Em relação aos artigos dispostos, estes têm várias origens: Dinamarca, Noruega, Rússia, Alemanha. Contam-se vários objectos interessantes, desde a utensílios domésticos, a adornos femininos, passando por armas (espadas!!), e objectos religiosos.

 

É uma exposição muito completa e vale muito a pena ir ver - eu adorei. Passem lá! Para mais informações sobre horários e preços, vejam aqui.

Junto, mostro-vos umas fotos também, todas tiradas por mim - com pouca qualidade, é certo, porque foi com o telemóvel.

 

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Um dos vários adornos femininos - neste caso, um colar de prata

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 Três dos vários exemplares de espadas vikings - datadas entre os séculos IX e XI

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 Vários objectos decorativos

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Réplica da Pedra de Jelling - A primeira face com uma representação de Cristo, a segunda com uma representação pagã e a terceira com insrições rúnicas

 

03.Out.17

Straight Outta Compton, de F. Gary Gray

Diana M.

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Filme: Straight Outta Compton

Realizador: F. Gary Gray

Ano: 2015

 

Vi este filme no fim-de-semana passado. Queria vê-lo desde que ele saiu porque, embora eu ouça muito mais rock e metal, também tenho algumas afinidades com este tipo de rap mais duro e hardcore - tanto em inglês como em português. Não tenho um grande conhecimento, é verdade, provavelmente conheço aquilo que é um pouco mais mainstream, mas, ainda assim, gosto bastante. Por isso, foi com alguma expectativa que parti para este Straight Outta Compton, uma biopic do grupo de rap N.W.A. 

 

Para quem não os conhece, os N.W.A, foram um dos grupos pioneiros naquilo que hoje em dia é conhecido como “gangsta rap”. Formado em meados dos anos 80, o grupo contava com membros que viviam em Compton, em Los Angeles, California: os dj’s Dr. Dre e Yella e os mc’s Eazy-E, Ice Cube e MC Ren. A música deles espelhava a realidade dura das ruas: o tráfico de drogas, a pertença a gangs, a violência abusiva da polícia, a pobreza, o crime - dando voz a uma geração que não era ouvida, trazendo a público as suas experiências na forma de um estilo musical mais brutal e, quase sempre, explosivo.

 

Este filme mostra, precisamente, a formação do grupo, o sucesso do álbum com o mesmo nome do filme, do qual surgiram hinos como “Straight Outra Compton”, “Gangsta Gangsta” e o clássico “Fuck tha Police”, todos os problemas que deram origem ao fim do grupo, bem como os anos seguintes, seguindo o início das carreiras e vidas pessoais de cada um dos membros, com foco especial em Dr. Dre, Ice Cube e Eazy-E.

 

Enquanto biopic, acho que este filme está muito bem feito. Retrata de forma bastante realista todos os elementos cruciais para percebermos estas pessoas, o contexto em que viveram e as razões pelas quais tiveram tanto sucesso. Este filme oferece um vislumbre bastante credível e fiel do mundo do “gangsta rap” no seu início, revelando a realidade crua e sem grande glamour, apesar de bastantes excessos.

 

Eu gostei muito deste filme e aconselho-o a todos os que gostam de rap, mas também a todos aqueles que tenham curiosidade sobre os N.W.A e os seus membros, alguns que são, hoje em dia, nomes sonantes e de respeito no rap e hip-hop, como Dr. Dre e Ice Cube. Gostei da objectividade do filme, da crueza com que a história nos é apresentada, sem tretas, sem embelezamentos, revelando que o maior objectivo é contar um pouco da história do rap e a história dos N.W.A. 

 

No final do filme senti que estive mais de duas horas entretida com uma história com a qual aprendi, porque mostra uma realidade que não é a minha, e que me deixou emocionalmente preenchida, porque passamos por uma montanha-russa de emoções em relação a tudo o que nos é apresentado. Os actores estão irrepreensíveis e conseguiram captar a essência dos protagonistas da vida real - o actor que faz de Ice Cube é, aliás, o filho do verdadeiro Ice Cube. Portanto, passei o filme todo a pensar “fizeram um casting do caraças com este actor que faz de Ice Cube. Parece-se e age mesmo como ele”. Afinal era o filho. Parecenças à parte, não tenho nada a apontar de negativo nas suas performances. Achei que todos encarnaram muito bem as personagens da vida real que estavam a representar.

 

Por isso, se gostarem de filmes sobre músicos, sobre rap em particular, sobre a realidade dura da vida em bairros mais pobres e desfavorecidos de Los Angeles, este é um filme do qual irão gostar. Aconselho vivamente. Podem ver o trailer abaixo.