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Dramas de Primeiro Mundo

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30.Out.14

Eu e os Ansiolíticos

Diana M.

Como já perceberam por alguns posts neste blog, eu sofro de um distúrbio de ansiedade. Há já bastante tempo que ele não se manifestava, mas nos últimos tempos a coisa parece ter sofrido um revés, e a ansiedade veio instalar-se mais uma vez. Sofro disto desde pequena, estou "habituada" e sei quais são as situações que me provocam ansiedade. Sei identificar os sintomas e, quando a coisa não é muito grave, consigo acalmar-me com os meus métodos.

"Ah e tal mas toda a gente tem episódios de ansiedade!"

Sim, claro que sim. É uma resposta do nosso corpo e mente a situações que possam ser de perigo, por exemplo, em que temos de estar em alerta. O problema é quando a ansiedade toma conta das nossas vidas e não nos deixa funcionar como deve ser. Pode ser paralizante, incapacitante, impedindo-nos de realizar coisas tão banais como levantarmo-nos da cama. Tive uma crise grande de ansiedade no início do mês e, apesar de ter aqui um ansiolítico em SOS resolvi não tomá-lo, porque a ansiedade durou-me dias. Como o medicamento pode causar habituação e eu, a tomá-lo, teria que ser vários dias, não quis arriscar.

Eu sou daquelas que tem um mini ataque de ansiedade só de pensar em tomar medicamentos, principalmente psiquiátricos. Porque já vi pessoas a ficarem viciadas naquilo, já vi quem se parecesse mais como um zombie, e porque naquele caso em específico eu sabia que a ansiedade ia durar dias, e eu prefiro usar o que tenho em situações pontuais. Foi o que fiz ontem. Estive em estado de ansiedade o dia todo porque vou apresentar um trabalho numa aula, na faculdade, hoje (5a feira dia 30). Estava com o sistema nervoso tresloucado, não me conseguia concentrar em nada, tinha os intestinos em festa, não conseguia comer, ritmo cardíaco acelerado, etc. Pensei: como esta é uma situação singular, vou tomar o raio do comprimido.

Depois do jantar, tomo o comprimido, Olcadil para quem queira saber, que me foi receitado pelo psiquiatra em casos SOS, como este. Porque quero que a ansiedade baixe, que me proporcione uma noite de sono descansada, e que eu acorde amanhã fresca que nem uma alface pronta e confiante na minha apresentação. Só o tomei uma vez antes, numa situação parecida, há dois anos. Na altura não tive efeitos secundários e dei-me bem com aquilo. Ontem pensei, "mesmo que me dê sonolência, é de noite, é da maneira que vou dormir mais cedo" - no problem. E a coisa correu bem. Começou a dar-me o sono à minha hora normal, nada de extraordinário nem de excessivo. E acalmou-me a ansiedade em pouco tempo. Não digo instantaneamente, mas sei lá... em 20 ou 30 minutos.

Quanto ao dia da apresentação, hoje, trarei-vos updates mais logo para saberem :)

Só uma coisa: não se auto-mediquem à toa. Eu tenho um problema, eu fui seguida por psicóloga, psiquiatra e psicoterapeuta durante anos. Este medicamento em SOS estou a tomá-lo porque sei que posso. Foi-me receitado especificamente para estas situações, e já tenho consulta marcada para contar o que me aconteceu. Mas não façam coisas destas à toa. Não tomem Xanax porque estavam nervosos, sem ninguém vos ter dito antes que podem, ou sequer se é o produto correcto ou a dose correcta para vocês. Informem-se. Os psicólogos não são bichos papãos.

Além disso, os ansiolíticos não curam a ansiedade. Podem ajudar-nos a acalmar naquele momento, para que possamos funcionar normalmente, mas não é daí que vem a cura. Dá muito trabalho, paciência, exige um grande esforço e força de vontade mesmo nos momentos em que não queremos fazer mais nada. Não é nada fácil, mas a coisa vai. Se realmente quisermos, a coisa vai. Se nos mentalizarmos que somos mais teimosos do que ela. E os distúrbios de ansiedade são assim: uma luta constante cada vez que ela aparece. Se há cura? Não sei. Mas há maneiras de aprendermos a lidar melhor com ela, de não ter medo dela e a termos compaixão por nós mesmos pelo momento em que estamos a passar. E a dizer-nos a nós próprios "Já passaste por isso e tudo acabou por ficar bem. Desta vez vai ser a mesma coisa. Tudo passa." Como diriam os Machine Head numa música que eu adoro: This shall pass Be still and know.

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