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Melancholia, de Lars Von Trier

por Diana M., em 25.02.17

melancholia-movie-poster.jpg

Filme: Melancholia

Realizador: Lars Von Trier

Ano: 2011

 

Andava para ver este filme praticamente desde que ele estreou e parece que ontem foi o dia! 

 

Melancholia conta-nos a história da relação entre duas irmãs, Justine e Claire, começando no dia do casamento de Justine e continuando nos dias a seguir. Ao mesmo tempo, acompanhamos a presença de um planeta, chamado Melancholia, que estava escondido atrás do sol e que se vai aproximando do planeta Terra. No entanto, para mim, a presença deste planeta é metafórica, simbolizando a presença de uma doença mental que se esconde e que, de repente, se revela, destabilizando a vida que conhecemos, ameaçando a nossa realidade. De facto, o realizador referiu que se inspirou num episódio depressivo que teve e, posteriormente, de ter conhecimento de que as pessoas depressivas permanecem mais calmas perante a possibilidade de um evento catastrófico.

 

Para mim, este filme fala-nos da depressão e da ansiedade, de como isso afecta quem sofre dessas doenças e quem lida com essas pessoas diariamente. É complicado, é difícil, ninguém sai ileso. Kirsten Dunst está irrepreensível a interpretar alguém com depressão, de como pode ser debilitante. Há cenas tão bem filmadas, a fotografia é belíssima, e a sensação de vazio, de distorção de tempo e de espaço tão bem passada para o espectador, a banda sonora encaixa que nem uma luva e as cenas iniciais, que a princípio parecem meio descabidas e sem sentido, vão-se encaixando e vão fazendo sentido na história que vai sendo contada.

 

É um filme pesado, em termos de carga emocional, não é um filme fácil e não irá apelar a toda a gente. Tem uma estética muito própria, mas eu adorei. Há várias referências artísticas (Breughel, Millais), literárias (Hamlet), musicais (Tristão e Isolda, de Wagner), e tudo isso adiciona profundidade à história, camadas que vão sendo descobertas pelo espectador. Eu adorei o filme. Penso que chega a ser catártico e quem já passou por estes momentos consegue relacionar-se melhor com as personagens e com a história. Gostei particularmente de Kirsten Dunst, das sequências iniciais do filme, da presença do planeta e do final do filme. Ficamos um bocado com a sensação de vazio, eu fiquei uns minutos a olhar para o ecrã sem saber o que fazer com aquilo que tinha acabado de ver, mas penso que essa foi a intenção do realizador, dada a temática que é explorada.

 

Em suma: primeiro filme visto este ano e muito bom, por sinal. Apesar de perceber que não irá apelar a toda a gente, recomendo vivamente, porque é um filme, no mínimo, visualmente belo.

 

 

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2 comentários

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De Carla B. a 26.02.2017 às 20:32

Eu comecei a vê-lo, aqui há uns anos, mas como achei que não teria estômago, desisti. Não me arrependo, estou à espera de uma altura melhor para o ver. Sei que o Lars von Trier não desapontará e que os seus filmes virão ter comigo na altura certa. Aconteceu-o com "Dogville" que me tornou automaticamente sua fã. Como é que ao ver um cenário sem paredes, ele conseguiu fazer-me sentir claustrofóbica, é coisa de génio. E o final é catártico, sim.
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De Diana M. a 27.02.2017 às 14:09

Eu gostei imenso do filme, ainda hoje penso nele e na personagem da Kirsten Dunst. Mas sim, é preciso o momento certo, porque o filme é pesadão. Ainda assim, acho que vale a pena ver, é muito bonito. O "Dogville" ainda não vi! *acrescenta à lista de mais de 70 filmes que tem para ver*
Queria muito ver o Anticristo também, mas acho que é na mesma onda deste, pesado, porque tem a ver com um casal que tenta superar a morte de um filho.

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