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Dramas de Primeiro Mundo

Dramas de Primeiro Mundo

09.Out.15

Da teimosia e dos transtornos mentais

Diana M.

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Há uns tempos, naquele desafio das 52 semanas, listei como um dos meus defeitos a teimosia. Gosto de provar a mim mesma que sou capaz e que vou conseguir fazer as coisas sem ajuda, sem muletas, sem recorrer a algo mais do que a mim mesma. Coisas que quero fazer, que gosto de fazer, mas que, de alguma maneira, se tornam verdadeiras corridas de obstáculos porque o meu cérebro decide que sim.

 

As últimas semanas têm sido verdadeiras montanhas russas emocionais, com a ansiedade a escalar em determinados momentos e com ataques de pânico como a cereja no topo do bolo. Capacidade de concentração reduzida ou praticamente nula. Um verdadeiro sofrimento para conseguir sair de casa e lidar com pessoas. Ir à faculdade é um pesadelo. Ir às aulas é um transtorno. Eu, que passo a vida naquela faculdade, com aquelas pessoas, com amigos, colegas, professores, que adoro lá ir. Às vezes o meu cérebro prega-me partidas e decide que estou bem há demasiado tempo e decide atacar.

 

O que despoleta a minha ansiedade são mudanças de rotina e situações novas, principalmente se tiver que ser avaliada ou julgada. A minha ansiedade surge sempre por antecipação: eu sofro sempre antes de as coisas acontecerem, mesmo que eu saiba que, pela lógica, vai tudo correr bem. A semana passada deu-se uma mudança de rotina, na semana que vem vou-me ver a braços com duas situações novas. Os meus nervos estão em franja e a sensação de controlo é nenhum. Não consigo ler, não me consigo focar nas conversas e prestar atenção completa, os meus sentidos estão hipersensíveis, não consigo comer normalmente, por um milagre até estou a conseguir dormir, mas quando acordo volta tudo atrás.

 

E aqui a Diana acha que consegue sempre superar as situações sem ansiolíticos. "Eu vou conseguir", "Hoje estou melhor que ontem". Mas o facto é que acabo sempre por entrar em sofrimento e a não conseguir fazer coisas que faço normalmente, todos os dias. Ou quando as vou fazer, faço-as com um esforço imenso, como se estivesse sozinha a puxar um carro de bois. Por mais que eu queira, há que deitar a toalha ao chão e reconhecer que preciso de ajuda. Que neste momento, por uns dias, vou ter que recorrer aos meus comprimidos mágicos. Nos últimos dias tenho andado numa dieta de Cloxam e Imodium - ah pois, os meus intestinos fazem a festa toda quando deviam estar sossegados. E ainda emagreci dois quilos. Só cenas fixes.

 

Isto tudo para dizer que às vezes, por muito que não queiramos, temos que aceitar que não somos as pessoas mais fortes do mundo e que precisamos de ajuda. Não vale a pena ser teimosa. Nos primeiros momentos faz-me sentir frustrada porque estava tão bem, passei por outras situações semelhantes sem precisar de ansiolíticos, e agora sou alguém que precisa de os tomar para conseguir fazer coisas tão simples como o acto de comer ou sair de casa. Há que aceitar estes momentos e fazer o melhor que podemos, com ajuda. Há que ter compaixão por nós próprios e não nos massacrarmos e recriminarmos por precisarmos de tomar este tipo de medicamentos. Não há que ter vergonha ou sentimento de culpa. Há quem não precise: ainda bem. Há quem precise: tudo bem na mesma. Somos todos diferentes e temos que aprender a ser mais tolerantes e compassivos com os outros e connosco também. E às vezes só precisamos de quem nos ouça e dê colo. Não precisamos de saber como vocês conseguem manter tudo controlado e nem sequer se permitem ter ansiedade, nem vos afecta o apetite, nem têm crises de choro assim do nada, nem têm falta de ar, nem tremem que nem varas verdes. Porque, acreditem: eu não escolho ser assim.

 

Vou-me refugiando em Narnia, na Grey (ah, gente marada da cabeça... Meredith, Amelia, Hunt, Karev, adoro-os!) e na Teoria do Big Bang.

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