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Dramas de Primeiro Mundo

Dramas de Primeiro Mundo

02.Mai.15

Senna

Diana M.

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Nunca prestei grande atenção à Formula 1. Nunca fui fã, nunca vi com atenção, embora me lembre perfeitamente de, aos fins-de-semana, à hora de almoço, a televisão estar sempre ligada na RTP1 para ver a Fórmula 1. Isto no início e meados dos anos 90, devia eu ter à volta dos 8 ou 9 anos. Lembro-me do nome de Ayrton Senna, Alain Prost e Nikki Lauda ecoarem cá por casa, porque os meus pais gostavam de ver a Fórmula 1 e acompanhavam-na de forma regular. Na altura queria era brincar, não ligava ainda a nada de especial a não ser a música. Ainda hoje dizem que sou uma enciclopédia musical ambulante... Mas isso é outra coisa. Hoje falemos de Fórmula 1.

 

Apanhei um documentário na televisão que depois gravei, porque estava a dar demasiado tarde, sobre Ayrton Senna, intitulado Senna (2010). Mesmo para quem não acompanha ou acompanhou F1 o nome de Ayrton Senna ressoa. Sabe-se quem foi e o que lhe aconteceu, foi um evento marcante e foi, segundo o documentário, a última morte nas pistas de corrida. É horrível ter que acontecer tragédias para que se faça alguma coisa, seja no campo do desporto, segurança no trabalho, nas condições das estradas, o que seja.

 

O documentário retrata o precurso profissional de Senna, desde piloto de carts até ao dia da sua morte, no Grande Prémio de San Marino em 1994. Foi a primeira vez que o vi e gostei muito. Traça muito bem o percurso profissional dele, as lutas contra politiquices e questões ligadas ao dinheiro dentro da F1, um pouco da sua vida pessoal e a eterna rivalidade entre ele e Prost. Acho que as imagens estão muito bem reunidas, as entrevistas bem escolhidas, os testemunhos bem recolhidos, e tudo dá uma imagem bastante completa do que era a vida de Senna na altura. Das suas vitórias e alegrias, derrotas e frustrações, até às dúvidas e inseguranças naquela última corrida. Gostei muito deste documentário, porque me fez conhecer um pouco mais desta figura incontornável da Fórmula 1 e da cultura brasileira, e de viver um pouco do que a F1 era naqueles anos 80 e 90. Pelo que percebi, e corrijam-me se estiver errada, a F1 perdeu um pouco do seu encanto depois da morte de Senna, deixou de cativar a tantas pessoas depois daquele acontecimento horrível. Claro que depois dele vieram outros grandes campeões: Schumacher, Häkkinen, Alonso, Vettel, Button e Hamilton. Mas a intensidade e genialidade de Senna era única e isso foi algo que, creio, ainda não se recuperou.

 

Por isso, fica aqui uma recomendação para quem tiver curiosidade sobre a vida de Senna. Um vislumbre daquilo que ele era como pessoa, humilde, crente em Deus, sempre tentanto superar-se a si próprio, imensamente competitivo, daquilo que ele era enquanto piloto profissional, daquilo que alcançou e do seu legado. Com imagens da época, com testemunhos de quem trabalhava com ele e de quem trabalhava na área da Fórmula 1, penso que tudo está muito bem construído. E mesmo sabendo o que lhe acontece e quando acontece, as imagens do seu acidente continuam a ser fortes e devastadoras. Há quase uma necessidade de silêncio depois daquilo.

 

Passam 21 anos da sua morte e Senna continua a ser um marco incontornável.

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